ENTREVISTA COM GLORIA COELHO

Publicado: 26/10/2018
Ela conta algumas curiosidades sobre seu processo.

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Desde os 11 anos, Glória Coelho já pensava em moda e principalmente no processo criativo, o desenvolver uma peça de roupa. A vida em Pedra Azul, no interior de Minas Gerais, parecia limitada. Então ela foi estudar comunicação visual e tomar lições da conceituada Marie Rucki, do Studio Berçot, de Paris. Começava aí a carreira de uma criadora obstinada por limpeza de formas, engenhosidade das peças, refinamento e uma preocupação incansável com o acabamento.

 

Ela conta algumas curiosidades sobre seu processo.

  

Que tipo de imagens de moda lhe interessam?

Glória Coelho: A gente reconhece a turma da gente no mundo inteiro quando olha para uma pessoa que passa rua, vê a seleção de coisas que ela fez e diz que também escolheria aquilo. Quando penso em imagens de moda, penso na minha turma no mundo.Quem é sua turma? Minha turma no mundo são as pessoas que gostam do que eu gosto. Eu não gosto de muita coisa, gosto de uma coisa só. Gosto de excelência, individualidade, inteligência, arte, ecologia e tecnologia. Mas, na moda, a gente não tem a inteligência que amo.

 

E como a moda sobrevive neste contexto?

A gente tem um comportamento no Brasil que é o de fazer tudo o que pode para transformar a matéria prima. Tecnologicamente nós estamos muito atrasados. Para comprar, tem que ser em grandes quantidades. O problema do Brasil é a falta de produção. Tudo se voltou para a China. O Brasil parou. O governo não tem inteligência para administrar isso. Tadinhos, tenho pena deles. Eles não têm competência. O Brasil não melhora, só vende matéria prima, não vende design. Essas coisas são importantes, trariam dinheiro para o país. Mas só continuamos bem na pecuária.

 

Quais são os desafios desse mercado?

Quando eu começo uma aula, pergunto sempre às pessoas se elas são apaixonadas por moda. Por que, se não forem, nem devem entrar nisso. Tem tanto emprego novo no mundo. Por que o trabalho de um estilista é muito grande, a logística que exige... Mesmo se você só faz malharia, por exemplo, tem que comprar um fio num lugar, outro no outro. Um tingimento daqui, outro de lá. A pessoa tem que ser apaixonada. Tudo tem data, horário. E se não cumprir, podem desistir da compra. O que aconselho sempre aos alunos e estudantes é que, se eles amam mesmo a moda, que fiquem com ela.

 

O que a moda dá às pessoas?

Ela define grupos. Com a moda, as pessoas podem ser tantos personagens, podem ser o que elas quiserem. A moda dá também felicidade de olhar para alguém e ver o belo, a beleza. A moda dá uma fotografia dos anos. Você reconhece 1500, 1700 pela moda. Você vê um filme na moda, o desenho da época. Nos anos 1970, você vê o hippie, o hippie chic. Nos 1980, vê o yuppie, uma maneira nova de pensar. Aliás, acho que a maneira dos japoneses pensarem está voltando a influenciar o mundo. E nós já estamos escrevendo agora o 2025.

 

O que a moda lhe deu nessa trajetória?

Muito amor, felicidade, alegrias, energia. Se estou cansada e vou trabalhar, me renovo, ganho energia. Olha, fazer moda há 43 anos é muita beleza que ganhei nesse caminho. Ou melhor, faço moda há mais tempo. Desde os 11 anos era louca por moda.Olhando para sua trajetória, que moda Gloria Coelho quis fazer para o Brasil e o mundo? Sempre olhei para o passado pensando no futuro. Todos meus temas, Pokemon, 3D, Luís XV, Luís XV, Escócia. Sempre pensei nisso para criar o novo. Olhar para este monte de imagens inspira. Você soma e cria sínteses. Um livro, um filme, tudo inspira. Isso tudo é estímulo para criar.


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